07/11/2004

Na onda dos movimentos ambientalistas dos anos 80 surge agora um novo tipo, o “ambientalismo das idéias”, que reivindica uma faxina na nossa psicosfera através da “ecologia mental”. Li na Trip sobre uma ONG canadense denominada “Ad Busters” que faz campanhas contra a má publicidade (no sentido ético) e escracha alguns símbolos da indústria americana (assim como o fez com MacDonalds o filme “SuperSizeMe” – a dieta do Palhaço). Estimulam as pessoas a prestarem mais atenção na mensagem das propagandas, e lançam campanhas como “uma semana sem televisão” ou “um dia sem comprar nada” (marcado para 29 de novembro). Para sustentar a ONG, eles editam uma revista (que não tem comerciais dentro) e vendem cartões, posters, etc.

Que dizer disso? A intenção é boa, há espaço pra tudo nesse mundo, mas... onde irão chegar com isso? Posso estar sendo hiperrealista, mas olho com certo desdém as atitudes extremistas desses movimentos (do tipo queimar sutiãs, pichar casacos de pele nos desfiles de moda, acorrentar-se nas portas de instituições públicas, fazer passeatas nus e com máscaras de gás no rosto, etc, etc, etc, etc.). Concordo com as reivindicações dos movimentos, vejo com simpatia seus atos simbólicos bem humorados, mas acredito na força da opinião pública e acho que as coisas mudam através da mentalidade das pessoas, não de manifestações estapafúrdias que só querem chamar a atenção. Será que é preciso que alguém faça esse papel de “bobo da corte” para apontar o que é maléfico, pernicioso, nefasto? Penso isso não desqualificando a tal ONG (o site é bem interessante), mas atinando para o fato de que muitas dessas iniciativas – ingênuas, idealistas e contraditórias – acabam “morrendo na praia”. Ou sufocadas pela racionalidade capitalista, ou enforcadas pela própria corda.

5 comentários:

Fernando disse...

Oi,Lili,
Inicio minhas visitas dominicais pela Entusiasta.
Aliás, entusiasta e preclara. Tremendamente pertinente as suas observações, às quais junto a minha posição.
Talvez um tanto-ou-quanto pessimista, não vou muito com a cara da maioria das ONGs, que eu considero chegadas a "aproveitadoras" das situações, momentâneas, mas não preocupadas em que elas, as situações, se resolvam. Quem sabe, assim, perderiam suas bocadas. Estou muito pessimista,penso eu. Mas...
Agora, uma coisa é certa: como os carinhas conseguem criar neologismos e frases feitas, boas pra vender seu peixe! "ambientalismo das idéias", ecologia mental",...
Nessa nossa sociedade prostituida, fica dificil eu encampar determinadas idéias.
Pois é, amiga: Num credito, mermo!
Beijos e bom domingo!
Fernando Cals

sub disse...

Olá Lili,
já muitos anos sou fã do trabalho dos adbusters.
Eles fazem um trabalho inteligente e fino.
Não merecem ser mencionados no mesmo post com ativistas violentos. Não fazem parte "desses movimentos".
E a influência deles é real, onde o movimento é ativo: pergunte aos marqueteiros das campanhas ridicularizadas!
p.s.: vc sabe que somente visitantes com um account no blogger podem postar aqui?

Lili disse...

Oi Fernando!
Primeiro, obrigada pelo “preclara” (fui ver no dicionário, hehe)!
Adorei saber que você começou as visitas por aqui! Hoje foi um dia e tanto. Assim como você, que teve o aniversário da Andréa, eu aqui tive 2 de uma vez! Puxado... Espero que seu dia tenha sido muito agradável, e meus parabéns pela filha brilhante (você sabe que sou fã dela, né?). Agora, sobre os neologismos e frases feitas, esse é um dos temas da minha pesquisa... E, sabe, não acho que você seja pessimista, mas sim que tem uma forma muito afinada de interpretar a realidade.
Beijos, boa semana!
Lili

Lili disse...

Oi Specie!

Suas críticas são muito bem fundamentadas (e bem vindas). Eu é que devo estar muito descrente, mesmo...
E sobre o account, será que você poderia me dar uma dica sobre como resolver esse imbróglio?
Obrigada!
Lili

sub disse...

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