Logo teremos o segundo turno das eleições, e paira uma dúvida no ar.. voto ou não voto? Porque terça é feriado, estávamos querendo ir pro sítio, sairíamos na sexta ou sábado de manhã e enforcaríamos, como bons brasileiros, a segunda. Mas dessa vez eu estou com a sensação de que meu voto será importante.
Hoje o solzinho saiu tímido de trás das nuvens brancas, o céu está esfumaçado e os passarinhos, alvoroçados. Já não estou agüentando ficar enfurnada na frente da tela desse computador. Preciso espairecer, dar uma caminhada básica, almoçar num bistrozinho qualquer. E é isso que vou fazer, resolvido. E depois, já produzi bastante essa semana... até este blog foi devidamente atualizado, recebeu nova roupagem e tudo. MEREÇO!
23/10/2004
22/10/2004
mudanças...
Este blog tem 1 semana de vida, e finalmente consegui ajeitá-lo um pouco (recém nascido não tem "cara de joelho"? Então, agora já está adquirindo feições mais agradáveis). Agora preciso colocar uns badulaques que o deixem mais com a minha cara; até tentei mudar o template (humm, que progresso!) mas achei melhor deixar nesse mesmo. Já estava adquirindo uma certa personalidade assim, achei que não vale a pena...
Não estou mais tolerando esse frio de trópicos invertidos...
Preciso de sol, de céu azul! Quero sair por aí sentindo o cheiro da primavera, observando os pássaros sazonais – turistas do acasalamento – , fotografando as cores do entardecer...
Outubro combina com uma certa inquietação de fim de ano, com o lançamento tão aguardado de um cd, prenunciando aquele que vai acabar sendo nosso hit do verão...
Combina com parques cheios, com pessoas nas calçadas olhando vitrines depois do expediente, com mesinhas ao ar livre numa roda de amigos...
Outubro tem um charme que não combina em nada com esse inverninho fora de época. Ah, que vontade de deitar na areia morna de um fim de tarde...
Preciso de sol, de céu azul! Quero sair por aí sentindo o cheiro da primavera, observando os pássaros sazonais – turistas do acasalamento – , fotografando as cores do entardecer...
Outubro combina com uma certa inquietação de fim de ano, com o lançamento tão aguardado de um cd, prenunciando aquele que vai acabar sendo nosso hit do verão...
Combina com parques cheios, com pessoas nas calçadas olhando vitrines depois do expediente, com mesinhas ao ar livre numa roda de amigos...
Outubro tem um charme que não combina em nada com esse inverninho fora de época. Ah, que vontade de deitar na areia morna de um fim de tarde...
21/10/2004
Preciso rever meus conceitos sobre (não) ter uma câmera digital. Estávamos, Cae e eu, fazendo nossa costumeira caminhada exploratória pelo bairro quando vimos a mariposa mais psicodélica que pode existir na face da terra. As formas, as cores, a composição, uma coisa inacreditável. Ele fez a seguinte observação: “será que em outra dimensão não existem laboratórios onde os artistas ficam criando obras de arte e mandando para a Terra em forma de coisas da natureza?” Eu, pé no chão que sou, não embarquei na sua fantasia criadora e emendei: “e como fica Darwin nessa história??”
20/10/2004
Sempre fui uma entusiasta contumaz de séries de televisão. Na infância, as que mais me marcaram foram: Jeannie é um gênio, A feiticeira, Mulher Maravilha, As Panteras, O incrível Hulk e A Ilha da Fantasia.
Daí vieram Casal 20, A gata e o rato, McGaiver e a inesquecível Armação Ilimitada. Também na adolescência, não perdia um episódio de Barrados no baile, só que eles ficaram adultos, eu também, e aí começamos a nos estranhar...
Já adulta, mas com o pezinho preso nos 18, comecei a assistir as séries americanas sentimentalóides suas comedinhas óbvias, como Dawsons Creek, Once and again, Will and Grace, Friends.
Também tive minha fase de prestigiar o infame e escrachado humor inglês em Absolutely Fabulous, e o delicioso clima francês de Saint Tropez.
Hoje me dei conta que as séries que estou assistindo são TODAS reprises! Quer dizer, onde estão as “boas” séries contemporâneas que gostarei de ver reprisadas daqui a 15, 20 anos?
Agora, um “momento lista” sobre alguns dos meus personagens coadjuvantes favoritos:
-A voz do Charlie (As Panteras)
-Tia Clara (A feiticeira)
-Tatu (Ilha da Fantasia)
-Free Way (Casal 20)
-Dylan (Barrados no Baile)
-O “chefe” da Zelda (Francisco Milani, em Armação Ilimitada)
-O robô (Perdidos no Espaço)
-Joe (de Friends)
-A garrafa (da Jennie é um gênio)
Daí vieram Casal 20, A gata e o rato, McGaiver e a inesquecível Armação Ilimitada. Também na adolescência, não perdia um episódio de Barrados no baile, só que eles ficaram adultos, eu também, e aí começamos a nos estranhar...
Já adulta, mas com o pezinho preso nos 18, comecei a assistir as séries americanas sentimentalóides suas comedinhas óbvias, como Dawsons Creek, Once and again, Will and Grace, Friends.
Também tive minha fase de prestigiar o infame e escrachado humor inglês em Absolutely Fabulous, e o delicioso clima francês de Saint Tropez.
Hoje me dei conta que as séries que estou assistindo são TODAS reprises! Quer dizer, onde estão as “boas” séries contemporâneas que gostarei de ver reprisadas daqui a 15, 20 anos?
Agora, um “momento lista” sobre alguns dos meus personagens coadjuvantes favoritos:
-A voz do Charlie (As Panteras)
-Tia Clara (A feiticeira)
-Tatu (Ilha da Fantasia)
-Free Way (Casal 20)
-Dylan (Barrados no Baile)
-O “chefe” da Zelda (Francisco Milani, em Armação Ilimitada)
-O robô (Perdidos no Espaço)
-Joe (de Friends)
-A garrafa (da Jennie é um gênio)
Por que tenho um blog?
Estava aqui pensando com meus botões (direito e esquerdo)... por que tenho um blog? Não é uma pergunta muito fácil de responder. Qualquer resposta apressada pode desviar-se da pergunta real. Pessoas tem motivações diferentes, portanto as respostas poderiam ser as mais diversas, mas: guardariam alguma coisa em comum? Talvez a pergunta ficasse melhor se colocada de outra forma: por que agora tenho um blog e antes não tinha? Deve existir algum estudo sociológico, psicológico, hermenêutico, sei lá, que explique esse fenômeno dos blogs. Por que eu, que tinha um certo preconceito, ao mesmo tempo certo fascínio, mas não tinha a menor intenção de criar um blog, estou aqui nesse momento produzindo um texto que vai para o espaço cibernético, podendo ser acessado nos 4 cantos do mundo? Será que teria alguma coisa a ver com a irreversibilidade? Desejo de "imprimir" algo, de marcar presença, de acenar pra esse mundo fragmentado dizendo: oi, estou aqui, tenho idéias! Ou: veja como minha vida é bacana! Ou: sou legal, quer ser meu amigo? Eu ainda não sei por que tenho um blog, mas vou descobrir. Porque se hoje isso está fazendo parte do meu cotidiano (até quando, não sei...) deve ter alguma importância. A palavra que me vem à cabeça é compartilhar...
19/10/2004
Outras do Paulo Vanzolini:
- O senhor é um ambientalista cético? - "Sou um loco protegedor".
- (...) E o Gilberto Gil? - "Musicalmente ele é insignificante".
- Gostava da Elis Regina? - "Mais ou menos. (...) Tinha amigos meus, como Lupcínio Rodrigues, que odiavam Elis e me envenenaram contra ela".
- Se pudesse voltar à vida como outra pessoa, quem seria? - "Gostaria de term talento para ser Paulo Vanzolini".
FALOU?
- O senhor é um ambientalista cético? - "Sou um loco protegedor".
- (...) E o Gilberto Gil? - "Musicalmente ele é insignificante".
- Gostava da Elis Regina? - "Mais ou menos. (...) Tinha amigos meus, como Lupcínio Rodrigues, que odiavam Elis e me envenenaram contra ela".
- Se pudesse voltar à vida como outra pessoa, quem seria? - "Gostaria de term talento para ser Paulo Vanzolini".
FALOU?
Paulo Vanzolini disse no Estadão de domingo que a única unanimidade que existe no Brasil é Chico Buarque de Holanda. Ué... já não disseram que a unanimidade é burra? Agora, essa foi boa: o mesmo Paulo, quando perguntado sobre o que acharia se pegassem uma música sua e colocassem batida eletrônica em cima: “Não tem problema nenhum, Maria Bethânia já fez pior que isso em “Ronda”! Ela não é uma cantora, é uma declamadora...” (hi hi)
Estou a algumas semanas acumulando horas de sono a menos. E com o horário de verão isso só vai piorar...
Foi só falar da “piruas” da MTV que as três (Marina, Penélope e Astrid) apareceram ontem no mesmo programa, um bate papo de VJs duro de assistir. Ainda bem que passei rapidinho para o Paulo Markun, programa festivo de 18 anos do Roda Viva, oásis na tela das segundas-feiras.
Os melhores:
- O depoimento emocionado da Hebe;
- A cena vexatória do “piti” do Quércia;
- Saber que vão transcrever todas as entrevistas desses 18 anos e disponibilizar no site da Cultura (empreitada de grande fôlego!);
- As Charges do Paulo Caruso (a do Collor foi impagável!!)
Os piores:
- O cenário “Pollock” do artista plástico Aguilar;
- Chico Buarque, José Sarney e Fernanda Montenegro (nunca aceitaram o convite);
- O horário (aumentando meu banco de horas não dormidas...)
As frases célebres:
“Eu tenho uma relação sexual com meu público”. (Hebe Camargo)
“Pra viver no Senado, é preciso andar com soro antiofídico na bolsa”. (Heloísa Helena)
“Canalha! Caluniador! Malandro! Safado!” (Orestes Quércia)
“O senhor não tem medo de nada? Nem de jornalista?” (Mônica Teixeira)
Foi só falar da “piruas” da MTV que as três (Marina, Penélope e Astrid) apareceram ontem no mesmo programa, um bate papo de VJs duro de assistir. Ainda bem que passei rapidinho para o Paulo Markun, programa festivo de 18 anos do Roda Viva, oásis na tela das segundas-feiras.
Os melhores:
- O depoimento emocionado da Hebe;
- A cena vexatória do “piti” do Quércia;
- Saber que vão transcrever todas as entrevistas desses 18 anos e disponibilizar no site da Cultura (empreitada de grande fôlego!);
- As Charges do Paulo Caruso (a do Collor foi impagável!!)
Os piores:
- O cenário “Pollock” do artista plástico Aguilar;
- Chico Buarque, José Sarney e Fernanda Montenegro (nunca aceitaram o convite);
- O horário (aumentando meu banco de horas não dormidas...)
As frases célebres:
“Eu tenho uma relação sexual com meu público”. (Hebe Camargo)
“Pra viver no Senado, é preciso andar com soro antiofídico na bolsa”. (Heloísa Helena)
“Canalha! Caluniador! Malandro! Safado!” (Orestes Quércia)
“O senhor não tem medo de nada? Nem de jornalista?” (Mônica Teixeira)
18/10/2004
Por enquanto está tudo certo. Entusiasmada com a idéia, ainda. Aproveito para escrever (porque “postar” é muito feio...) nas horinhas de ver meus e-mails. Ah, e descobri mais uma função possível para este blog, me inspirando na coluna “Toque de Amiga”, do BWC Feminino.
Agora a pouco passei pela MTV e ouvi uma pérola da Senhora Marina Person: “animação é uma coisa que a gente... supergosta aqui na mtv!” Ora, poupe-me de seus arroubos adolescentes... aliás não é só ela, outro dia ouvi a Penélope Nova falando algo como “sou megafissurada nessa banda...”. Fico injuriada com a síndrome de adolescente que ataca muitas balzacas por aí. Tudo bem. A MTV tem um público adolescente na sua maioria, ta certo que eles têm que adaptar a linguagem, mas... ser coloquial e descontraída é uma coisa; ficar cultivando tiques afetados típicos das garotas que freqüentam o programa delas, é meio demais. Mas se tem uma figura que ultrapassa todos os limites nesse quesito é a Astrid. E eu até gostava dela quando ela tinha um programa vespertino na finada Manchete (anos 80), junto com a Xênia (nooossa, essa eu tirei do baú). Parecia tão culta e informada, e a cada dia me convenço menos disso... agora ta na onda de gostar de fofoca e axé music. Fora que ela parou no tempo principalmente quanto ao vestuário. Um aviso para todas: dêem uma chance para as adolescentes! Deixem esse linguajar, essas caras e bocas e essas minissaias por conta delas, que sustentam com muito mais naturalidade do que vocês. (Peguei pesado...)
Agora a pouco passei pela MTV e ouvi uma pérola da Senhora Marina Person: “animação é uma coisa que a gente... supergosta aqui na mtv!” Ora, poupe-me de seus arroubos adolescentes... aliás não é só ela, outro dia ouvi a Penélope Nova falando algo como “sou megafissurada nessa banda...”. Fico injuriada com a síndrome de adolescente que ataca muitas balzacas por aí. Tudo bem. A MTV tem um público adolescente na sua maioria, ta certo que eles têm que adaptar a linguagem, mas... ser coloquial e descontraída é uma coisa; ficar cultivando tiques afetados típicos das garotas que freqüentam o programa delas, é meio demais. Mas se tem uma figura que ultrapassa todos os limites nesse quesito é a Astrid. E eu até gostava dela quando ela tinha um programa vespertino na finada Manchete (anos 80), junto com a Xênia (nooossa, essa eu tirei do baú). Parecia tão culta e informada, e a cada dia me convenço menos disso... agora ta na onda de gostar de fofoca e axé music. Fora que ela parou no tempo principalmente quanto ao vestuário. Um aviso para todas: dêem uma chance para as adolescentes! Deixem esse linguajar, essas caras e bocas e essas minissaias por conta delas, que sustentam com muito mais naturalidade do que vocês. (Peguei pesado...)
3o. dia deste blog. Como disse o Fernando (Observador), vamos ver até onde vai...
Fui ver ontem o filminho do Woody Allen (filminho não no sentido depreciativo, mas no de entretenimento sempre garantido). Me descobri, durante o filme, como a entusiasta de comédias mais mal humorada que já existiu. Tenho pavor de assistir a filmes com pessoas gargalhando... não é por nada, mas precisa rir o tempo todo de cada frase ácida, que é irônica mas não é engraçada? Devo realmente ser muito mal humorada. Além de não rir (tá, ri uma vez, na cena do carro) ainda me incomodo com as pessoas que dão risada... É o fim...
Aproveitando o ensejo, fomos pro cinema à pé, e fiquei quase emocionada ao andar pela Rua XV que, de tão silenciosa, dava pra ouvir até o eco de nossas vozes. Falávamos baixinho pois qualquer alteração no tom parecia que seria ouvida a 1 km dali. E a lua nova no céu quase escuro cortado por cirros esparsos, e as luzes amarelas das lindas luminárias de ferro, no corredor de prédios antigos dos quais tanto gosto... lindo, lindo. Um dia quero escrever sobre meu fascínio por perambular nas bocas mais improváveis da cidade, pelos prédios descuidados, com suas janelas mal tampadas por farrapos de cortinas azul-marinho... um submundo cheio de histórias, que só vê beleza quem nele não vive...
Fui ver ontem o filminho do Woody Allen (filminho não no sentido depreciativo, mas no de entretenimento sempre garantido). Me descobri, durante o filme, como a entusiasta de comédias mais mal humorada que já existiu. Tenho pavor de assistir a filmes com pessoas gargalhando... não é por nada, mas precisa rir o tempo todo de cada frase ácida, que é irônica mas não é engraçada? Devo realmente ser muito mal humorada. Além de não rir (tá, ri uma vez, na cena do carro) ainda me incomodo com as pessoas que dão risada... É o fim...
Aproveitando o ensejo, fomos pro cinema à pé, e fiquei quase emocionada ao andar pela Rua XV que, de tão silenciosa, dava pra ouvir até o eco de nossas vozes. Falávamos baixinho pois qualquer alteração no tom parecia que seria ouvida a 1 km dali. E a lua nova no céu quase escuro cortado por cirros esparsos, e as luzes amarelas das lindas luminárias de ferro, no corredor de prédios antigos dos quais tanto gosto... lindo, lindo. Um dia quero escrever sobre meu fascínio por perambular nas bocas mais improváveis da cidade, pelos prédios descuidados, com suas janelas mal tampadas por farrapos de cortinas azul-marinho... um submundo cheio de histórias, que só vê beleza quem nele não vive...
17/10/2004
o nascimento de uma blogueira indefinida
Nada é novo na internet. Aliás, NADA é novo, tudo é reinventado. Blogs, portanto, podem ter 1000 utilidades: sempre se pega a idéia de alguém e se adapta para uma nova função. Fiquei pensando quais poderiam ser as finalidades desse meu diário virtual.
Poderia ser alguma coisa parecida com as listas do Nick Horn em Alta Fidelidade (as 5 mais, as 10 melhores...).
Poderia ser um espaço para colocar os poeminhas de última hora (aqueles que insistem em se perder por aí...).
Poderia ser um misto de agenda eletrônica com as resoluções de começo de ano (algo como “preciso ir ao ginecologista”; “preciso ser menos perfeccionista”; “preciso fazer check up no dentista”...).
Poderia ser também um e-mail coletivo e diário, para contar, por exemplo, detalhes com fotos de uma viagem para os parente e amigos mais próximos (o bom é que isso os livraria, na volta, da ingrata tarefa de ter que ver aquelas pilhas e mais pilhas de álbuns – o que é pior: comentados foto por foto).
Poderia ser um registro de fatos corriqueiros e engraçados, como a cena de um sapato andando sozinho no ônibus (com o respectivo dono de meias tentando alcança-lo...). Poderia ainda ser um registro de sonhos, daqueles cinematográficos (que parecem fazer todo o sentido do mundo logo depois que a gente acorda, e que vira um quebra-cabeça desengonçado até se apagar completamente da memória...).
Poderia mesmo ser a forma mais disciplinada de escrever um romance, em doses homeopáticas (só não sei como se garantiriam os direitos autorais...).
É fato que muitas gente está descobrindo sua veia artística/ poética/ humorística/ literária na feitura de um blog. Quantos livros não serão publicados com seus conteúdos?
Bom, opções não faltam. Acho que o melhor mesmo é não ficar preso a regras, misturar tudo no liquidificador internético e servir assim, despretensiosamente, rindo de mim mesma pelas bobagens que acabo de escrever.
PS1.: Que diário não é feito de bobagens? Acho que só o Diário Oficial...
PS2.: Vou ficar ainda um longo tempo discutindo as vantagens e desvantagens dessa nova ferramenta – o blog – até eu me acostumar com ela... Assim sou eu. Fico esmiuçando e digerindo tudo o que me passa pela frente.
Poderia ser alguma coisa parecida com as listas do Nick Horn em Alta Fidelidade (as 5 mais, as 10 melhores...).
Poderia ser um espaço para colocar os poeminhas de última hora (aqueles que insistem em se perder por aí...).
Poderia ser um misto de agenda eletrônica com as resoluções de começo de ano (algo como “preciso ir ao ginecologista”; “preciso ser menos perfeccionista”; “preciso fazer check up no dentista”...).
Poderia ser também um e-mail coletivo e diário, para contar, por exemplo, detalhes com fotos de uma viagem para os parente e amigos mais próximos (o bom é que isso os livraria, na volta, da ingrata tarefa de ter que ver aquelas pilhas e mais pilhas de álbuns – o que é pior: comentados foto por foto).
Poderia ser um registro de fatos corriqueiros e engraçados, como a cena de um sapato andando sozinho no ônibus (com o respectivo dono de meias tentando alcança-lo...). Poderia ainda ser um registro de sonhos, daqueles cinematográficos (que parecem fazer todo o sentido do mundo logo depois que a gente acorda, e que vira um quebra-cabeça desengonçado até se apagar completamente da memória...).
Poderia mesmo ser a forma mais disciplinada de escrever um romance, em doses homeopáticas (só não sei como se garantiriam os direitos autorais...).
É fato que muitas gente está descobrindo sua veia artística/ poética/ humorística/ literária na feitura de um blog. Quantos livros não serão publicados com seus conteúdos?
Bom, opções não faltam. Acho que o melhor mesmo é não ficar preso a regras, misturar tudo no liquidificador internético e servir assim, despretensiosamente, rindo de mim mesma pelas bobagens que acabo de escrever.
PS1.: Que diário não é feito de bobagens? Acho que só o Diário Oficial...
PS2.: Vou ficar ainda um longo tempo discutindo as vantagens e desvantagens dessa nova ferramenta – o blog – até eu me acostumar com ela... Assim sou eu. Fico esmiuçando e digerindo tudo o que me passa pela frente.
a entusiasta
17 de Outubro de 2004
Uma tese para escrever, uma estréia do Woody Allen pra assistir, e uma preguiça de domingo que não me deixou trocar de roupa até agora (são duas e meia da tarde). Sento na frente do computador e só penso em duas coisas: jogar paciência ou continuar a escrever um conto que me atrevi a começar ontem: “a banheira”. Bom, se ele não for pra frente (como todos), pelo menos estou salvando aqui a idéia, que, como um gracejo, apareceu quando eu conversava com minha mãe sobre a banheira de ferro que quero colocar no apartamento depois da reforma. Num misto de ironia fúnebre e grotesca de um filme B, com frases do tipo “Deus me livre!”, nos divertíamos na cozinha sobre a possibilidade de eu vir a adquirir uma banheira que já foi palco de assassinatos, afogamentos, traições... “podem até ter servido para dar banho em defunto...”, disse com a cara de riso macabro. Daí falamos que isso dava um conto, eu imaginando a banheira contando sua própria história até chegar, bela e formosa, toda reformadinha no meu futuro banheiro de pastilhas de vidro e lustre de cristal, ra ra ra! O começo poderia ser assim...
Caros amigos, se não fossem vocês eu não poderia mais estar aqui vivo, nessa minha existência de banheira. Já perdi o contato com meus parentes mais próximos há muitos anos, desde que, após a forja, nossa série foi distribuída nos estabelecimentos comerciais de Curitiba (idos de 1920). O que eu sei é que a maioria já não existe, e também sei notícias de primos distantes que viraram coxo de cavalo, outros que estão em quintais fazendo o nobre papel de vasos (de plantas ornamentais a horta de leguminosas). Outros eu sei, já não tiveram a mesma sorte, e foram abandonados após terem servido dignamente ao ramo da construção civil (no preparo de cimento). Também ouvi falar de gente da nossa espécie que foi esquecida em porões, encarquilhados e desenganados quanto ao seu destino mais óbvio: definhar lentamente nos pátios de um ferro velho. Mas meus queridos: agradeço-lhes a cada minuto por me resgatarem à vida, eu que sempre fui útil e que não via mais sentido em permanecer enclausurado numa sala escura e poeirenta de antiquário. Meu currículo, vasto e pitoresco, está agora coroado com essa nova chance que me deram. Estou me sentindo chique e galhardo, depois do banho de louça e da restauração de meu pé quebrado. O ambiente da casa em que estou é muito bom e familiar. Só estranho um pouco a altura. Devo confessar. Lembrando de quando jovem, nos áureos tempos de mansão na Mateus Leme, acostumado que estava com aquele movimento todo, sinto um pouco de tédio. Minha proprietária é gente muito boa, não estou reclamando, mas tem muito pouco o hábito de me usar. Gente nova, que cresceu em apartamento, que sempre teve água quente vinda da torneira, sabe como é. Foram essas modernidades que fizeram de nós, banheiras, objetos tão desprezados nesses últimos tempos. Minha história, por tanto adormecida, me passa pela memória como um filme...
Uma tese para escrever, uma estréia do Woody Allen pra assistir, e uma preguiça de domingo que não me deixou trocar de roupa até agora (são duas e meia da tarde). Sento na frente do computador e só penso em duas coisas: jogar paciência ou continuar a escrever um conto que me atrevi a começar ontem: “a banheira”. Bom, se ele não for pra frente (como todos), pelo menos estou salvando aqui a idéia, que, como um gracejo, apareceu quando eu conversava com minha mãe sobre a banheira de ferro que quero colocar no apartamento depois da reforma. Num misto de ironia fúnebre e grotesca de um filme B, com frases do tipo “Deus me livre!”, nos divertíamos na cozinha sobre a possibilidade de eu vir a adquirir uma banheira que já foi palco de assassinatos, afogamentos, traições... “podem até ter servido para dar banho em defunto...”, disse com a cara de riso macabro. Daí falamos que isso dava um conto, eu imaginando a banheira contando sua própria história até chegar, bela e formosa, toda reformadinha no meu futuro banheiro de pastilhas de vidro e lustre de cristal, ra ra ra! O começo poderia ser assim...
Caros amigos, se não fossem vocês eu não poderia mais estar aqui vivo, nessa minha existência de banheira. Já perdi o contato com meus parentes mais próximos há muitos anos, desde que, após a forja, nossa série foi distribuída nos estabelecimentos comerciais de Curitiba (idos de 1920). O que eu sei é que a maioria já não existe, e também sei notícias de primos distantes que viraram coxo de cavalo, outros que estão em quintais fazendo o nobre papel de vasos (de plantas ornamentais a horta de leguminosas). Outros eu sei, já não tiveram a mesma sorte, e foram abandonados após terem servido dignamente ao ramo da construção civil (no preparo de cimento). Também ouvi falar de gente da nossa espécie que foi esquecida em porões, encarquilhados e desenganados quanto ao seu destino mais óbvio: definhar lentamente nos pátios de um ferro velho. Mas meus queridos: agradeço-lhes a cada minuto por me resgatarem à vida, eu que sempre fui útil e que não via mais sentido em permanecer enclausurado numa sala escura e poeirenta de antiquário. Meu currículo, vasto e pitoresco, está agora coroado com essa nova chance que me deram. Estou me sentindo chique e galhardo, depois do banho de louça e da restauração de meu pé quebrado. O ambiente da casa em que estou é muito bom e familiar. Só estranho um pouco a altura. Devo confessar. Lembrando de quando jovem, nos áureos tempos de mansão na Mateus Leme, acostumado que estava com aquele movimento todo, sinto um pouco de tédio. Minha proprietária é gente muito boa, não estou reclamando, mas tem muito pouco o hábito de me usar. Gente nova, que cresceu em apartamento, que sempre teve água quente vinda da torneira, sabe como é. Foram essas modernidades que fizeram de nós, banheiras, objetos tão desprezados nesses últimos tempos. Minha história, por tanto adormecida, me passa pela memória como um filme...
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