Voltando ao mundo, depois de alguns dias naquele minúsculo pedaço litorâneo de civilização. Coisa mais engraçada: dar um mergulho no mar entre uma aula e outra! Água deliciosamente temperada, sol causticante, areia fofa, praia deserta, limpa, convidativa... bom, não curti o mar como gostaria, só fui essa vez no horário de almoço, e outra vez com a Chang no final da tarde, mas pelo menos não passou em branco. Experimentei algumas noites solitárias, sem a companhia nem da televisão, mas aproveitei para ler e ouvir música. Que tese, que nada...
Paulo deixou a chave de sua casa comigo. Bonita e grande, com dois andares e um sótão/ biblioteca. Muito estranho estar na casa de alguém a quem conheço tão pouco, e ainda sem a sua presença. Como uma exploradora, fui percebendo em cada detalhe a personalidade do dono. Ele tem um gosto muito refinado. Preserva o hábito de ouvir discos de vinil, e sabe sobre os melhores aparelhos (tem uma pick up Garrard, por exemplo). Vi por lá muita música clássica e mpb, rock, folk, e alternativos, além de coleções de CDs de países do mundo inteiro. Suas coleções de revistas: The New Yorker, Bravo, República. Seus livros: tiras do Garfield, livros de filosofia, psicologia, literatura, ciência, arte, música, etc... Muitos quadros e objetos decorativos de viagens, presentes de amigos... A geladeira tinha coisas japonesas como missô, vários envelopes de algas dessas de enrolar sushi, muitos temperos exóticos e outros de todos os tipos...uns envelopes de café solúvel importado não sei de onde... uma garrafa de vinho aberta (Trapiche)... pacote de macarrão Barilla aberto... latinhas de cerveja, uma garrafinha aberta de Nova Schin Malzebier, e outra coisas indecifráveis em potes de vidro. Tinha também uma panelinha com um resto de macarrão, com colher dentro e tudo. Acredito que ele havia estado ali um dia antes de mim. Na terça apareceu a moça que faz limpeza – e ela nem sabia que eu estaria lá. Ontem ele me ligou pra saber se estava tudo bem, pedindo mil desculpas por não ter avisado sobre o esconderijo da chave do seu quarto, onde estava a televisão e outros aparelhos (que me colocou à disposição). Estava chegando de Brasília e saindo para viajar de novo, dessa vez para Buenos Aires, para “descansar e aproveitar uns três dias”...!
As aulas foram melhores do que eu esperava, tirando meus lapsos de memória e a dificuldade de despertar o interesse nos alunos-surfistas, que só sonhavam com a hora de estar dentro d’água. Mas é muito bom aquele clima de descontração. O traje: bermuda e havaianas, para os meninos, e vestidinho indiano e chinelinhos de couro para as meninas. Salas de aula em frente ao mar, de onde se vê a Ilha do Mel. Tudo bem equipadinho, retroprojetor, datashow, ar condicionado, nada mal... e o mar ali na frente... nos chamando... chamando... chamando... chaaaa.... chááá... tchibumm!!!
11/03/2005
07/03/2005
06/03/2005
Anos setenta. Eu, criança, adorava ver uma revista adolescente chamada POP Garota, que minha prima, 5 anos mais velha, comprava. Em 79 saiu um número comemorativo sobre os 10 anos de Woodstock. Essa revista ainda existe, e a uns tempos atrás usei-a num trabalho de mestrado sobre culturas juvenis:
Os cabelos tornaram-se longos. Os dedos encheram-se de anéis. Desbotaram-se os jeans e desconfiou-se de quem tivesse mais de 30. Os hippies diziam não aos valores, instituições, idéias e tabus. Em 69, uma multidão nunca vista de cabeludos, roupas psicodélicas, desinibição, rebeldia pacífica, alegria infantil, a mão levantada com dedos em “V”, nudez sem malícia, participou do maior evento gerado pelo rock – o Festival de Woodstock. Percebia-se que terminava ali aquele movimento cultural da década de 60. O sonho durou pouco e acabou; e, conforme se sabe, quem não dormiu no sleeping bag nem sequer sonhou.
Noite de sábado dormindo em frente à televisão. O documentário que eu tentava assistir: Woodstock. Tinha 4 horas de duração. Minha pilha acabou nas primeiras duas horas, e eu não vi os “grandes” que queria (re)ver. Mas a apresentação de Joe Cocker já valeu a noite. Cabelos compridos e molhados de suor (e/ou chuva) costeletas enormes, voz grave e rouca, botas azuis com estrelas brancas, um coro masculino de vozes agudas, gestos tresloucados em uma guitarra imaginária, público hipnotizado. A música: With a little help from my friends. Pensar que aqueles americanos desencanados, sujos de lama dos pés à cabeça, vendo estrelinhas coloridas de tanto ácido na cabeça são hoje cidadãos de cinqüenta/sessenta anos, que “admitem” ter fumado maconha (mas não tragado... rá..rá...rá...).
Os cabelos tornaram-se longos. Os dedos encheram-se de anéis. Desbotaram-se os jeans e desconfiou-se de quem tivesse mais de 30. Os hippies diziam não aos valores, instituições, idéias e tabus. Em 69, uma multidão nunca vista de cabeludos, roupas psicodélicas, desinibição, rebeldia pacífica, alegria infantil, a mão levantada com dedos em “V”, nudez sem malícia, participou do maior evento gerado pelo rock – o Festival de Woodstock. Percebia-se que terminava ali aquele movimento cultural da década de 60. O sonho durou pouco e acabou; e, conforme se sabe, quem não dormiu no sleeping bag nem sequer sonhou.
Noite de sábado dormindo em frente à televisão. O documentário que eu tentava assistir: Woodstock. Tinha 4 horas de duração. Minha pilha acabou nas primeiras duas horas, e eu não vi os “grandes” que queria (re)ver. Mas a apresentação de Joe Cocker já valeu a noite. Cabelos compridos e molhados de suor (e/ou chuva) costeletas enormes, voz grave e rouca, botas azuis com estrelas brancas, um coro masculino de vozes agudas, gestos tresloucados em uma guitarra imaginária, público hipnotizado. A música: With a little help from my friends. Pensar que aqueles americanos desencanados, sujos de lama dos pés à cabeça, vendo estrelinhas coloridas de tanto ácido na cabeça são hoje cidadãos de cinqüenta/sessenta anos, que “admitem” ter fumado maconha (mas não tragado... rá..rá...rá...).
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