18/06/2005
E por falar em... São Paulo, 1990. Fomos nós, Mi, Chris dirigindo, todos adolescentes, (com algum juízo), para o Hotel em pleno edifício Copan. Nossos programas: Shopping Iguatemi, teatro (Trair e coçar é só começar, com a Denise Fraga no início de carreira, e ela estava lá no hotel também!). Fomos no US Beef Rock, na Estados Unidos, dançamos muito. Fomos também comer no América, nos Jardins(?), era novidade. Fomos no bairro da Liberdade. Ah! Fomos almoçar num lugar que não lembro o nome, e lá encontramos o Emerson Fitipaldi! Foi uma viagem curta, só um fim de semana, mas...Que viagem...
Cá estou eu em pleno sábado, já com raiva do computador que a toda hora fecha os arquivos nos quais estou trabalhando, “do nada”. Diz que houve uma operação proibida e aborta tudo. Depois vem querendo se desculpar, mostra os arquivos “recuperados”... Como diz o dito, tenho “mais sorte que juízo”, já deveria ter mandado o fulano na oficina, pois estou no meio da tese e qualquer risco é fatal (humm, isso lembrou aquela cantora Rosana...). Bom, essa semana foi assim-assim, terça passei o dia em função da reunião do doutorado, depois fomos na cantina para chorar as pitangas, todos, com exceção do Edmilson, desesperados com os prazos. Devemos entregar as teses para a qualificação até 15 de agosto, e eu tenho que apresentar a minha na Oficina no dia 28, mas preciso envia-la para a leitura até quinta-feira. Daí que o Professor viu minha agonia e me chamou para uma reunião, para colocar alguns pingos nos is. Simplesmente questionou a formulação do problema e os objetivos da tese. Hahaha. Nessas alturas do campeonato. Bom, vi que terei muito mais trabalho do que imaginava, não só para organizar o texto que tenho que mandar, mas para refazer o capítulo introdutório, que é o cerne do trabalho. Também ele disse que essa tese teria 2 propósitos, dentre eles o de reformular uma teoria, ou expandi-la. É muita pretensão pra mim. Mas me senti desafiada, estimulada, já estou pensando em fazer uma ida a São Paulo em julho, tentar umas entrevistas e coletar bibliografia na USP. Cláudia que me espere! Hummm... fazer uns programinhas culturais daqueles bem baratinhos ou de graça... comprar o incenso de chocolate da Benedito Calixto, ...aquele creminho para as mãos cheiroso na farmácia do Iguatemi e... bom... só o que meu rico dinheiro puder fazer, pois sei que gastarei bastante com pilhas e pilhas de xerox e alguns itinerários de táxi.
Tudo isso é enrolação para não voltar ao trabalho... Ai que preguiiiiiiça!!
Tudo isso é enrolação para não voltar ao trabalho... Ai que preguiiiiiiça!!
16/06/2005
Hora do cafezinho da tarde. Ela se lembra que não tem nada pra comer, e que há tempos vem anotando os itens de mercado num papel, que permanece no mesmo lugar há mais de uma semana. O almoço saiu sabe-se lá como (foi a sorte de achar meia xícara de arroz e metade de um pé de escarola já meio murcha na geladeira). Ela olha para a última banda de pão no pacote e dá de ombros: a fome é de doce, e não dá para degustar o cafezinho sem uma iguaria. Sem a mínima intenção de andar poucos passos até a mercearia da esquina, pensa numa alternativa que lhe parece razoável: fazer “bolinhos de chuva”. Não que ela já tivesse o hábito de sacar essa carta da manga, como fazia sua avó quando recebia muitas visitas ao mesmo tempo. Não, ela nunca houvera feito tal quitute, tampouco conhecia a receita, apenas se lembrava de ouvir que, quando não há nada para comer, faz-se o tal bolinho de chuva (“os ingredientes devem ser fáceis e devo tê-los em casa”, pensou). Recorre, então, ao seu velho livro de receitas: a internet. E lá, depois de encontrar 1.487.573.897746 receitas no Google, fica com a primeira, que diz simpaticamente:
Se existe algo com gosto de carinho, é bolinho de chuva. Com certeza, você está lembrando de sua mãe, sua avó ou mesmo de uma tia na frente da frigideira jogando colheradas de massa no óleo e colhendo bolinhas sorridentes. Deixe saudades você também, preparando esta receita em sua casa.- 2 ovos; - 1 copo americano de açúcar; - 2 copos americanos de farinha de trigo; - 1/2 copo americano de água; - 1 colher de sopa rasa de fermento em pó; - 6 bananas nanicas picadas; - açúcar e canela para polvilhar. Misturar e bater (à mão ou na batedeira) os ovos, o açúcar, a farinha de trigo, a água e o fermento em pó. Por último, adicionar as bananas e misturar. Fritar às colheradas em óleo quente. Polvilhar com canela e açúcar. Servir ainda quente.
Obviamente, ela não tinha os ingredientes mais difíceis (a banana e a canela), então pôs-se a providenciar o básico e resolveu fazer meia receita (“será que não dá pra fazer ¼? Não... como vou dividir um ovo ao meio?...”). Rapidamente ela já tinha a massa pronta em mãos; faltava a parte de fritura. O que acontece com os bolinhos de uma pessoa que nunca fez essa receita antes na vida? Algumas possibilidades:
1) Os bolinhos queimam;
2) Os bolinhos ficam encharcados;
3) Os bolinhos ficam se forma nenhuma;
4) Os bolinhos ficam crus por dentro.
Bem, isso pode acontecer também tudo de uma vez só, como foi o caso dela. Primeiro, porque o óleo ficou quente demais. Segundo, porque ela desligou o fogo e o óleo esfriou. Terceiro, porque a massa é mole e ela não tinha nenhuma prática em “pingar” a massa com a colher (as bolinhas não saíram sorridentes como dizia a receita). Quarto...bem, já não importa mais. Ela pensava que seria fácil e rápido, e acabou custando tempo, muita bagunça na cozinha e um cheiro insuportável de gordura queimada que infestou toda a casa, impregnando especialmente os seus cabelos lavados e escovados. Não chegou a usar toda a massa; perdeu 4 colheres e um garfo dentro dela, mas não se fez de rogada. Preparou seu café, fez uma bandeja e levou-a para frente da TV, onde estava passando um jogo do Brasil de uma copa não sei das quantas. Comeu alguns, para não perder todo o trabalho, percebeu a tarde caindo no horizonte, sentiu vontade de escrever. A tarde de trabalho foi-se para as cucuias mas, como disse um certo amigo, é bom transformar o tempo útil em inútil, ou vice-versa... bem, ela já nem sabe mais...
Ela desfrutou esses momentos com seu jeito estabanado, passou pela prova do “primeiro bolinho de chuva” da sua vida, e pensou: “tudo bem, o próximo será mais bem sucedido”. Quem sabe num dia de chuva tudo seja diferente...
Se existe algo com gosto de carinho, é bolinho de chuva. Com certeza, você está lembrando de sua mãe, sua avó ou mesmo de uma tia na frente da frigideira jogando colheradas de massa no óleo e colhendo bolinhas sorridentes. Deixe saudades você também, preparando esta receita em sua casa.- 2 ovos; - 1 copo americano de açúcar; - 2 copos americanos de farinha de trigo; - 1/2 copo americano de água; - 1 colher de sopa rasa de fermento em pó; - 6 bananas nanicas picadas; - açúcar e canela para polvilhar. Misturar e bater (à mão ou na batedeira) os ovos, o açúcar, a farinha de trigo, a água e o fermento em pó. Por último, adicionar as bananas e misturar. Fritar às colheradas em óleo quente. Polvilhar com canela e açúcar. Servir ainda quente.
Obviamente, ela não tinha os ingredientes mais difíceis (a banana e a canela), então pôs-se a providenciar o básico e resolveu fazer meia receita (“será que não dá pra fazer ¼? Não... como vou dividir um ovo ao meio?...”). Rapidamente ela já tinha a massa pronta em mãos; faltava a parte de fritura. O que acontece com os bolinhos de uma pessoa que nunca fez essa receita antes na vida? Algumas possibilidades:
1) Os bolinhos queimam;
2) Os bolinhos ficam encharcados;
3) Os bolinhos ficam se forma nenhuma;
4) Os bolinhos ficam crus por dentro.
Bem, isso pode acontecer também tudo de uma vez só, como foi o caso dela. Primeiro, porque o óleo ficou quente demais. Segundo, porque ela desligou o fogo e o óleo esfriou. Terceiro, porque a massa é mole e ela não tinha nenhuma prática em “pingar” a massa com a colher (as bolinhas não saíram sorridentes como dizia a receita). Quarto...bem, já não importa mais. Ela pensava que seria fácil e rápido, e acabou custando tempo, muita bagunça na cozinha e um cheiro insuportável de gordura queimada que infestou toda a casa, impregnando especialmente os seus cabelos lavados e escovados. Não chegou a usar toda a massa; perdeu 4 colheres e um garfo dentro dela, mas não se fez de rogada. Preparou seu café, fez uma bandeja e levou-a para frente da TV, onde estava passando um jogo do Brasil de uma copa não sei das quantas. Comeu alguns, para não perder todo o trabalho, percebeu a tarde caindo no horizonte, sentiu vontade de escrever. A tarde de trabalho foi-se para as cucuias mas, como disse um certo amigo, é bom transformar o tempo útil em inútil, ou vice-versa... bem, ela já nem sabe mais...
Ela desfrutou esses momentos com seu jeito estabanado, passou pela prova do “primeiro bolinho de chuva” da sua vida, e pensou: “tudo bem, o próximo será mais bem sucedido”. Quem sabe num dia de chuva tudo seja diferente...
15/06/2005
Chuvaaaaa!!!!! Até que enfim! Nove horas da manhã, uma escuridão encobria o dia, a chuva começou mansa e me fez perder completamente a noção do tempo. Bem que eu sentia que o sono já tinha passado, mas o silêncio era tão grande que achei estar ainda no final da madrugada. Sono atrasado, cansaço mental, cama convidativa, tudo contribuindo para que eu ficasse mais e mais um pouco, entremeando sonhos-relâmpagos, desses que a gente tenta alinhavar entre uma cochilada e outra. Ganhei a manhã, para não ser injusta e dizer que a perdi... Ganhei um prêmio, um bônus, algo merecido pelo "bom comportamento", uma manhã chuvosa e silenciosa, escura como a noite.
14/06/2005
Estou me preparando para mais um episódio sonolento das reuniões do doutorado. Tive que ler um protótipo de tese em duas horas, duas preciosas horas em que deveria estar fazendo a minha tese. Numa só passada de olho é difícil opinar sobre o trabalho de outra pessoa. Ela esteve na França fazendo um levantamento do modelo dos Parques Naturais Regionais, cujo objetivo é promover o desenvolvimento territorial sustentável através de uma governança ambiental compartilhada entre os produtores, o Estado e a sociedade civil organizada. Esse modelo francês está sendo usado no Pantanal, e esse é o objeto de sua pesquisa. Huuuáááánnnn... vai ser uma tarde bem movimentada...
13/06/2005
Entre uma amenidade e outra, ontem assisti a dois programas excelentes na Cultura. O primeiro, Café Filosófico, com a psicanalista Maria Rita Kehl, sobre casamentos sucessivos, e o segundo, Provocações, Abujamra entrevistando uma faxineira e um morador de rua. Fui dormir meio atordoada, é verdade, mas cada vez mais próxima de duas questões que não me saem da cabeça: a tripla jornada da mulher e os excluídos da sociedade. Credo! Eu não era assim...
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