Fizemos nossa costumeira caminhada exploratória/ temática dos sábados, hoje com o objetivo de passar por galerias do centro e entrar em alguns casarões antigos, concluindo o roteiro dos sebos iniciados num desses feriados.
Galerias exibem o retrato mais fiel das décadas passadas, com suas relojoarias, lojas de guarda-chuvas, barbearias, lanchonetes, etc., tudo intacto. Os mesmos donos, os mesmos vendedores, a mesma decoração (puída), o mesmo piso de ladrilho hidráulico, o mesmo balcão de fórmica azul-clara, a mesma cadeira de barbeiro, o mesmo cheiro. É isso! O cheiro dos lugares é a minha maior referência... Hoje, na galeria do edifício Asa, senti um cheiro que ativou uma parte do cérebro e me fez lembrar que, a 24 anos atrás, eu havia estado lá, na ocasião de um aniversário. Como um lugar pode ter o mesmo cheiro por tanto tempo, às vezes por toda a sua existência? Observei que, ao lado dessa galeria, está a Casa Suisse, confeitaria tradicional, com seus aromas peculiares, e talvez responsável por essa reminiscência.
Ao vagar por ruas antigas, dessas que as janelas das casas abrem-se direto na calçada, costumo esticar o pescoço para espiar. Sempre espero encontrar uma sala de piso de tábua; um sofá pé palito de napa marrom, com almofadas de chenile e crochê, aquelas feitas com sobras de lã colorida, que vão dando voltas concêntricas até acabar num miolinho em forma de flor; um tapetinho de fio cru sob um gato dengosamente refestelado; um chiado de panela de pressão e um aroma de feijão cozinhando, se for de manhã; um cheiro de cera vermelha exalando de uma varanda de cimento queimado, misturado ao cheiro de café passado na hora e pão assando, se for à tarde...
Olfato é meu sentido mais aguçado, sem dúvida.
13/11/2004
O que o contato com o chão de terra faz comigo é algo milagroso. Estive descalça por 3 dias, bebendo água da mina, dormindo ao som do silênciao, comendo produtos da horta, jogando conversa fora... Esse seria o texto que eu provavelmente escreveria na terça-feira, mas... doce ilusão. Minha quase programada viagem não deu certo. Fazer o quê... Passar mais um feriado enfurnada no escritório, tentando agilizar os afazeres. Aliás, assim será meu verão. Passarei por ele em branco (e branca!) para, quem sabe, aportar na primavera do Hemisfério Norte.
12/11/2004
Essa semana resolvi dar uma “bordejada” (como diz Fernando) por outros blogs, inicialmente com o objetivo de conferir minhas teorias sobre por que as pessoas têm um. Observei que estou na média, ou seja, o conteúdo desse blog é o que a maioria também cultiva nos seus espaços: impressões do dia, do noticiário, lembranças, histórias, vez ou outra poesias – autorais e alheias – , opiniões radicais, humor, papo furado, e muito recheio para lingüiças. Coisas que me chamaram a atenção (lições que uma blogueira neófita deve saber):
- Quando falta assunto, é só tascar-lhe uma poesia ou uma letra de música;
- Frases de efeito são necessárias (afinal, elas é que convidam o leitor “bordejante” a dar uma paradinha ali e, com sorte, voltar uma outra vez);
- Templates têm que ser a cara do dono: uns não se contentam com pouco e abusam das cores e figuras; outros fazem questão do minimalismo para refletir sua personalidade.
- Deve ser “fora de moda” ter a foto no template (identifiquei só um com essa característica).
- A grande maioria tem experiência no assunto, e também muitos comentários em cada “post”. Em alguns, é visível a participação massiva de amigos virtuais. Outras pessoas divulgam e direcionam seu blog aos amigos/ parentes e conhecidos, e têm neles seu grande público.
- Na parte dos “comments”, é comum ter um dizer próprio, algo como “diz aí” e coisas do gênero.
Bom, isso foi o que vi em uma passada rápida. Lembro-me especialmente de um onde o dono comenta: “Esse blog tem 4 leitores, dos quais 3 eu não conheço (...), mesmo assim vou levando...”. He he, me identifiquei com esse!
- Quando falta assunto, é só tascar-lhe uma poesia ou uma letra de música;
- Frases de efeito são necessárias (afinal, elas é que convidam o leitor “bordejante” a dar uma paradinha ali e, com sorte, voltar uma outra vez);
- Templates têm que ser a cara do dono: uns não se contentam com pouco e abusam das cores e figuras; outros fazem questão do minimalismo para refletir sua personalidade.
- Deve ser “fora de moda” ter a foto no template (identifiquei só um com essa característica).
- A grande maioria tem experiência no assunto, e também muitos comentários em cada “post”. Em alguns, é visível a participação massiva de amigos virtuais. Outras pessoas divulgam e direcionam seu blog aos amigos/ parentes e conhecidos, e têm neles seu grande público.
- Na parte dos “comments”, é comum ter um dizer próprio, algo como “diz aí” e coisas do gênero.
Bom, isso foi o que vi em uma passada rápida. Lembro-me especialmente de um onde o dono comenta: “Esse blog tem 4 leitores, dos quais 3 eu não conheço (...), mesmo assim vou levando...”. He he, me identifiquei com esse!
11/11/2004
Bom, continuando a saga dos diários (que, na verdade, chamavam-se agendas)... Já na faculdade, o conteúdo era um pouco diferente. Surgiram os códigos – maneiras de escrever próprias, para resguardar os segredos de um possível leitor não autorizado. Época das experiências mais radicais, sabe como é... Muitas fotos de viagens, muitos programas de fim de semana, algumas cartas, adesivos, essa era a tônica.
Tive um período de entressafra; comprava ou ganhava agendas, mas não as usava com a finalidade de diários, e sim para fazer anotações de contas a pagar, de cheques pré-datados, de horários no salão, de consultas médicas, de aniversários de parentes e amigos... Isso foi de 95 a 98, ano em que comprei, numa ida a Brasília, o meu “Diário de Bordo”, lindo, parecendo um livro bem antigo com folhas amareladas, do artista plástico Nido Campolongo. Nessa mesma época assisti ao filme “Livro de Cabeceira”, chinês, onde a protagonista tinha um livro onde anotava “Coisas que me Fazem Sorrir”. Encampei a idéia. Esse, eu posso dizer, é o livro da minha vida. Ali, de tempos em tempos (3 a 4 vezes por ano, às vezes menos), tenho registrado todos os fatos importantes, momentos marcantes ilustrados com fotos, minhas emoções. Em outubro ele fez 5 anos. É uma vida! Quanta coisa registrada...
Bem, hoje em dia conto com a inevitável agenda (de compromissos, contas, recibos, mais um arquivo do que uma agenda...), com meu Diário de Bordo e com meu Blog. E essa foi a história e evolução do “mundo encantado dos diários de Lili”. (Fim!).
Tive um período de entressafra; comprava ou ganhava agendas, mas não as usava com a finalidade de diários, e sim para fazer anotações de contas a pagar, de cheques pré-datados, de horários no salão, de consultas médicas, de aniversários de parentes e amigos... Isso foi de 95 a 98, ano em que comprei, numa ida a Brasília, o meu “Diário de Bordo”, lindo, parecendo um livro bem antigo com folhas amareladas, do artista plástico Nido Campolongo. Nessa mesma época assisti ao filme “Livro de Cabeceira”, chinês, onde a protagonista tinha um livro onde anotava “Coisas que me Fazem Sorrir”. Encampei a idéia. Esse, eu posso dizer, é o livro da minha vida. Ali, de tempos em tempos (3 a 4 vezes por ano, às vezes menos), tenho registrado todos os fatos importantes, momentos marcantes ilustrados com fotos, minhas emoções. Em outubro ele fez 5 anos. É uma vida! Quanta coisa registrada...
Bem, hoje em dia conto com a inevitável agenda (de compromissos, contas, recibos, mais um arquivo do que uma agenda...), com meu Diário de Bordo e com meu Blog. E essa foi a história e evolução do “mundo encantado dos diários de Lili”. (Fim!).
10/11/2004
Embalada pela onda das lembranças que me acometeram desde o início da semana, quando reencontrei colegas da faculdade, e também pela inquietação gerada pela feitura de um diário compartilhado, hoje escreverei sobre como me tornei uma entusiasta dos diários.
Sem exageros, cultivo o hábito de ter diários desde que aprendi a escrever. Lembro-me do meu primeiro, estava no 1o ano, e ele se chamava “Diário de Recreio” (Recreio era uma revista infantil da época). Também lembro das coisas que escrevia (“Hoje fui na piscina”; “Hoje a Marissol dormiu aqui em casa”...) tão ingênuas, tão empolgantes...!
Meu segundo diário era da “Turma da Mônica”, mas faz tanto tempo, que os desenhos dos personagens ainda eram pontudos, a Tina era hippie, usava chinelos, calça “boca de sino” e um medalhão no pescoço, fora os óculos enooormes! Esse diário veio junto com uma camiseta que eu adorava, e usei até furar.
Os diários seguintes já foram mais elaborados, eram um misto de agenda escolar e de pensamentos sobre o dia que passou. As brigas com as amigas, os sentimentos ruins que a criança começa a experimentar desde cedo, as mudanças de casa e de cidade, os novos amigos...
Na adolescência eu era leitora contumaz de Capricho (e guardo minha coleção até hoje, de 1984 a 1989). Lembro-me que na última página tinha o “Meu Diário”, peraí, vou pegá-lo... Voltei, fui pegar um exemplar de 1985, ano em que o Miguel Paiva começou a produzir o brilhante Diário da Guta, uma adolescente típica, engraçada, meio deprê, questionadora... Citarei um trecho:
“Hoje estou me sentindo como num decreto do governo: em liberdade vigiada. (...) Hoje também estou sonhando! De olhos abertos. (...) Melhor sonhar com um gato! Bonito, bem charmoso, fiel, ... fiel ... monogâmico... assim feito o... feito o... aquele... eh... o... feito o... tudo bem, esquece!”
Bom , nem precisa dizer que meus diários seguiam esse padrão, cheios de figuras recortadas com os gatos do momento – Sting (ui!), Tom Cruise, Rob Lowe, Matt Dilon –, embalagens de bombons presas com clips coloridos, entradas de cinema, shows, etc, etc. etc.
Chega por hoje. Amanhã continuo escrevendo sobre os diários da época de faculdade...
Sem exageros, cultivo o hábito de ter diários desde que aprendi a escrever. Lembro-me do meu primeiro, estava no 1o ano, e ele se chamava “Diário de Recreio” (Recreio era uma revista infantil da época). Também lembro das coisas que escrevia (“Hoje fui na piscina”; “Hoje a Marissol dormiu aqui em casa”...) tão ingênuas, tão empolgantes...!
Meu segundo diário era da “Turma da Mônica”, mas faz tanto tempo, que os desenhos dos personagens ainda eram pontudos, a Tina era hippie, usava chinelos, calça “boca de sino” e um medalhão no pescoço, fora os óculos enooormes! Esse diário veio junto com uma camiseta que eu adorava, e usei até furar.
Os diários seguintes já foram mais elaborados, eram um misto de agenda escolar e de pensamentos sobre o dia que passou. As brigas com as amigas, os sentimentos ruins que a criança começa a experimentar desde cedo, as mudanças de casa e de cidade, os novos amigos...
Na adolescência eu era leitora contumaz de Capricho (e guardo minha coleção até hoje, de 1984 a 1989). Lembro-me que na última página tinha o “Meu Diário”, peraí, vou pegá-lo... Voltei, fui pegar um exemplar de 1985, ano em que o Miguel Paiva começou a produzir o brilhante Diário da Guta, uma adolescente típica, engraçada, meio deprê, questionadora... Citarei um trecho:
“Hoje estou me sentindo como num decreto do governo: em liberdade vigiada. (...) Hoje também estou sonhando! De olhos abertos. (...) Melhor sonhar com um gato! Bonito, bem charmoso, fiel, ... fiel ... monogâmico... assim feito o... feito o... aquele... eh... o... feito o... tudo bem, esquece!”
Bom , nem precisa dizer que meus diários seguiam esse padrão, cheios de figuras recortadas com os gatos do momento – Sting (ui!), Tom Cruise, Rob Lowe, Matt Dilon –, embalagens de bombons presas com clips coloridos, entradas de cinema, shows, etc, etc. etc.
Chega por hoje. Amanhã continuo escrevendo sobre os diários da época de faculdade...
Ontem no Jô Soares, estava David Sanborn, músico predileto das propagandas de motel. Só não perde para Kenny G...
Competente (já tocou com Steve Wonder e James Taylor) mas de estilo duvidoso, Sanborn não sabia o que tinha ido fazer lá. Inexpressivo, frente a um apresentador pouquíssimo inspirado, protagonizou uma das entrevistas mais sem graça dos últimos tempos. Sem graça ficou o Jô, que, percebendo a inércia da situação, encerrou a entrevista rapidinho. No mínimo constrangedor.
Competente (já tocou com Steve Wonder e James Taylor) mas de estilo duvidoso, Sanborn não sabia o que tinha ido fazer lá. Inexpressivo, frente a um apresentador pouquíssimo inspirado, protagonizou uma das entrevistas mais sem graça dos últimos tempos. Sem graça ficou o Jô, que, percebendo a inércia da situação, encerrou a entrevista rapidinho. No mínimo constrangedor.
09/11/2004
Circuito das vacas
Li, na revista SIMPLES, que no ano que vem São Paulo será povoada por vacas de fibra de vidro pintadas/ decoradas por artistas plásticos brasileiros. Uma verdadeira invasão bovina (eu, heim?!)...
Quando eu tinha uns 9 anos, resolvi colecionar selos. Como adorava trocar correspondências, ficava esperando as respostas para poder tirar o selo das cartas que chegavam. Isso durou o tempo da empolgação de uma criança (acho que 1 ano). Ainda tenho os selos daquela época. Ontem recebi uma mala direta e achei os selos muito bonitos (de instrumentos musicais: um “Caixa Clara” e um “Bandolim”, de 2002). Na hora me lembrei da técnica que usava para descolar os selos – colocá-los no vapor de uma chaleira – e lá fui eu saborear um pouquinho dos momentos da minha infância. Não consegui descolar nada. Tentei tirar os selos já molhados pelo vapor e foi em vão, eles rasgaram e não desgrudaram. Aí pensei: será que perdi o jeito (é óbvio que sim...) ou será que as colas de hoje em dia são “supersônicas”? Bom, não importa. Só o que importou foi a singeleza da cena. Eu, adulta, parada na frente do fogão com um papel na mão e uma chaleira crepitando, foi como se, de repente, eu encolhesse, virasse criança, as roupas ficando largas, compridas, como num efeito especial de filme. Dei-me conta que não recebo mais cartas, nem cartões de Natal. Que também quase não mando cartas. Nem cartões de Natal...
08/11/2004
Preciso organizar meus pensamentos. Estou naquela fase de andar com um bloquinho e uma caneta para anotar tudo, um turbilhão de idéias que giram feito um redemoinho na minha cabeça, energia criativa que precisa ser melhor canalizada. Hoje tive uma reunião com o Professor e vi que estou perdendo tempo, não consegui produzir nada concreto nessas últimas duas semanas, e o tempo, oh algoz, não se apieda. Tenho pensado em ficar escrevendo lá no sítio, quieta, sem telefone, sem internet, sem barulho que não seja o dos passarinhos, sapos, grilos e cigarras. Preciso focar meus esforços na tese. O mundo da blogosfera tem me fascinado e me assustado ao mesmo tempo. Não é uma coisa simples. É, realmente, um mundo paralelo, imaginário, criativo, instigante, onde se compartilham coisas tão íntimas como esse pensamento, onde se sintonizam almas, onde se soltam amarras, onde somos nós mesmos – nus e crus – e isso é assustador... Depois da empolgação inicial, começo a analisar minhas reações frente a este espaço cibernético. Estou na “fase 2”. Se eu passar incólume a ela, estarei pronta para assumir o rótulo de “blogueira” (embora nunca, mas nunca tenha aceitado qualquer tipo de rótulos...). Mas, ainda não estou bem certa. Sinto-me colhendo flores à beira do abismo...
Reencontros e saudosismo (já vi isso num blog "por aí", hehe). Ontem a situação se passou comigo. Num aniversário, encontrei duas colegas de faculdade que não via desde a formatura, há quase 12 anos, e foi aquela tiração de fotos; primeiro a mulherada, depois a melherada + as crianças, e por aí vai... As conversas são sempre as mesmas, quase um clichê, mas... como são gostosas! Como a gente se "transforma" por alguns momentos, voltando a um ponto da história e tentando lembrar de nomes de colegas, de professores, de episódios engraçados, etc. Ai... estou preenchida, revigorada, adoro esses momentos.
07/11/2004
Na onda dos movimentos ambientalistas dos anos 80 surge agora um novo tipo, o “ambientalismo das idéias”, que reivindica uma faxina na nossa psicosfera através da “ecologia mental”. Li na Trip sobre uma ONG canadense denominada “Ad Busters” que faz campanhas contra a má publicidade (no sentido ético) e escracha alguns símbolos da indústria americana (assim como o fez com MacDonalds o filme “SuperSizeMe” – a dieta do Palhaço). Estimulam as pessoas a prestarem mais atenção na mensagem das propagandas, e lançam campanhas como “uma semana sem televisão” ou “um dia sem comprar nada” (marcado para 29 de novembro). Para sustentar a ONG, eles editam uma revista (que não tem comerciais dentro) e vendem cartões, posters, etc.
Que dizer disso? A intenção é boa, há espaço pra tudo nesse mundo, mas... onde irão chegar com isso? Posso estar sendo hiperrealista, mas olho com certo desdém as atitudes extremistas desses movimentos (do tipo queimar sutiãs, pichar casacos de pele nos desfiles de moda, acorrentar-se nas portas de instituições públicas, fazer passeatas nus e com máscaras de gás no rosto, etc, etc, etc, etc.). Concordo com as reivindicações dos movimentos, vejo com simpatia seus atos simbólicos bem humorados, mas acredito na força da opinião pública e acho que as coisas mudam através da mentalidade das pessoas, não de manifestações estapafúrdias que só querem chamar a atenção. Será que é preciso que alguém faça esse papel de “bobo da corte” para apontar o que é maléfico, pernicioso, nefasto? Penso isso não desqualificando a tal ONG (o site é bem interessante), mas atinando para o fato de que muitas dessas iniciativas – ingênuas, idealistas e contraditórias – acabam “morrendo na praia”. Ou sufocadas pela racionalidade capitalista, ou enforcadas pela própria corda.
Que dizer disso? A intenção é boa, há espaço pra tudo nesse mundo, mas... onde irão chegar com isso? Posso estar sendo hiperrealista, mas olho com certo desdém as atitudes extremistas desses movimentos (do tipo queimar sutiãs, pichar casacos de pele nos desfiles de moda, acorrentar-se nas portas de instituições públicas, fazer passeatas nus e com máscaras de gás no rosto, etc, etc, etc, etc.). Concordo com as reivindicações dos movimentos, vejo com simpatia seus atos simbólicos bem humorados, mas acredito na força da opinião pública e acho que as coisas mudam através da mentalidade das pessoas, não de manifestações estapafúrdias que só querem chamar a atenção. Será que é preciso que alguém faça esse papel de “bobo da corte” para apontar o que é maléfico, pernicioso, nefasto? Penso isso não desqualificando a tal ONG (o site é bem interessante), mas atinando para o fato de que muitas dessas iniciativas – ingênuas, idealistas e contraditórias – acabam “morrendo na praia”. Ou sufocadas pela racionalidade capitalista, ou enforcadas pela própria corda.
Assinar:
Comentários (Atom)