09/11/2004

Quando eu tinha uns 9 anos, resolvi colecionar selos. Como adorava trocar correspondências, ficava esperando as respostas para poder tirar o selo das cartas que chegavam. Isso durou o tempo da empolgação de uma criança (acho que 1 ano). Ainda tenho os selos daquela época. Ontem recebi uma mala direta e achei os selos muito bonitos (de instrumentos musicais: um “Caixa Clara” e um “Bandolim”, de 2002). Na hora me lembrei da técnica que usava para descolar os selos – colocá-los no vapor de uma chaleira – e lá fui eu saborear um pouquinho dos momentos da minha infância. Não consegui descolar nada. Tentei tirar os selos já molhados pelo vapor e foi em vão, eles rasgaram e não desgrudaram. Aí pensei: será que perdi o jeito (é óbvio que sim...) ou será que as colas de hoje em dia são “supersônicas”? Bom, não importa. Só o que importou foi a singeleza da cena. Eu, adulta, parada na frente do fogão com um papel na mão e uma chaleira crepitando, foi como se, de repente, eu encolhesse, virasse criança, as roupas ficando largas, compridas, como num efeito especial de filme. Dei-me conta que não recebo mais cartas, nem cartões de Natal. Que também quase não mando cartas. Nem cartões de Natal...

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