Saindo do elevador e dando aquela vasculhada clássica na bolsa em busca da chave. Nada. Mexe mais, segurando os pertences que saem em profusão para tentar localizá-la no fundo da bolsa. Ao lado do carro, vai segurando a carteira entre o queixo e o pescoço, o chaveiro enorme entre os joelhos, vasculha mais um pouco e nada da chave. Com raiva chacoalha a bolsa aberta no chão, esparramando o chiclete que escapou da caixa, já era, fica com mais raiva, recolhe tudo e sai bufando, sobe, entra e deixa a casa aberta, atrasada, procurando nos lugares mais óbvios, depois nos insólitos, não encontra, pensa na chave reserva, não tem idéia onde possa estar. Vermelha, suando, esbravejando e praguejando contra tudo e todos, descobre seu lado perverso. Senta, respira, se acalma e, pela primeira vez, pensa. Um minuto depois, leva a mão ao bolso, já perdeu a hora, a chave sã e salva, quentinha, intacta.
3 comentários:
Existêncialismo, agora o ser irracional, isso vai se tornar um trend?
Adorei! Me identifiquei muito. A eu conheço a cena, bem demais até. Agora eu num ando mais de carro, mas tenho uma carteirinha do metro, que nunca esta onde deveria... Esses dias, de manha, atrasada, sem dinheiro para comprar um ticket, pulei a roleta, depois encontrei os controladores, e passei de fininho. Me senti tao malandro agulha! Fiquei muito orgulhosa de mim mesma.
Oi,, Lili
que nem que eu!!!
Outro dia, sai da obra, entrei no carro, sentei, procurei a chave nos bolsos, todos, abri a pasta, nada, vasculhei o assoalho do carro, desci, a calçada em volta, já pensava em telefonar pra casa pra pedir a chave reserva...deu o estalo?
Que tal ver na porta do carro?
Tava lá, calminha, apenas aguardando um rasgo, mínimo, de calma e temperança.
Dei a partida e fui embora.
Beijos
fernando cals
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