16/12/2004

Dois passarinhos verdes com a cabeça azul têm vindo visitar a minha janela desde o início da primavera. Certamente é um pássaro sazonal, que alçará vôo aos primeiros sinais do outono, mas nunca tinha visto uma espécie tão colorida, tão perto de mim fora de uma gaiola. (Detesto gaiolas).

Não vejo a hora de pertencer à paisagem bucólica, de abrir a janela todas as manhãs e encontrar um festa de tonalidades verdes, e um pout-pourit de gorjeios dos mais variados pássaros nesse início de verão. De deitar-me na rede no final de tarde e deixar-me embalar pelos pensamentos; de pisar na terra seca e fina da estrada e sentir cócegas, de observar as incansáveis formigas trabalhando e escutar as despreocupadas cigarras fazendo serenata; de colocar um biquíni e deixar a pele tostar pelos saudáveis raios de sol; de preparar e desfrutar de um suado copo de água com gelo e folhinhas de hortelã; de escutar a Cultura AM de São Paulo no rádio; de ficar de papo na ensolarada cozinha, enquanto minha mãe prepara um bolo; de sair correndo feito uma criança; de rodar de braços abertos, de cantarolar, de me sujar de terra...
Não vejo a hora...

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