Anos 70. Morávamos no interior; meus pais eram presidentes do clube social da cidade e viviam promovendo “festas, bailes e afins”. Mesmo criança, lembro-me bem das vésperas dos bailes: uma correria louca com a decoração do clube e com a recepção das atrações (músicos e artistas). Tecidos, muitos tecidos, peças de gesso ou cerâmica (castiçais, colunas, espelhos), flores e tapetes. Os adultos trabalhando e as crianças brincando em volta. Pregos, tachinhas, grampos, arames, cheiro de tinta. Baile da saudade; baile de debutantes, jantares dançantes. A cidade em polvorosa, salões de beleza cheios, mulheres andando pra cima e pra baixo de chinelinhos e “bobes” na cabeça, cobertos por um lenço ou uma redinha. Contratavam só artistas de qualidade, alguns despontando, outros no auge (áureos tempos...). Lembro-me quando o Caçulinha foi tocar num baile da saudade, e de outros artistas e músicos como Márcio Greick (será que é assim?), Gilbert, Roberto Leal, Demônios da Garoa... Mas, em 1979, a cidade teve o baile de debutantes mais memorável de sua história (curta, aliás: nos anos oitenta esses bailes deixaram de existir). O artista: nada menos do que Tony Ramos. Seguem-se algumas cenas e lembranças que ficaram registradas na minha memória de criança.
Meus pais convidaram-no para hospedar-se lá em casa. Humilde, aceitou o convite prontamente.
Chegou lá de tarde, vindo de Jacarezinho com a tia, um primo e uma prima. Minutos antes, o céu fechou completamente, anunciando uma tempestade de verão daquelas.
Casa cheia, todos curiosos com a chegada do ilustre visitante. Aos 31 anos, no auge da carreira, fazia par romântico com Elisabeth Savalla em Pai Herói. Mas não parecia, nem de longe, um astro. Mostrou-se, sim, um doce de pessoa. Sentiu-se totalmente à vontade.
Atencioso, elogiou meu penteado (duas tranças suspensas na cabeça, penteado da época, que fiz, obviamente, para espera-lo). Disse que tinha uma filha da minha idade, e tirou uma foto da carteira com o casal (de filhos).
Apareceu na sala, depois de banhar-se, com uma blusa “cacharel” bege, todo perfumado. Minha vozinha era sua verdadeira fã. Eles conversaram muito. Ela preparou um jantar mineiro para ele. E ele se encantou por ela.
Viu o piano e, modesto, pediu para ouvir meu primo tocar. Os números executados eram sempre acompanhados por um comentário e um elogio. Não sabíamos que ele também tocava piano!
Hora do baile se aproximando, começou a sair aquela gente chique dos quartos, só se ouvia o farfalhar dos vestidos e o barulho dos saltos (altos). Tony de smoking e cabelos brilhantes.
O que aconteceu depois eu não vi, mas soube (e vi em fotos). Dançou valsa com as debutantes, posou para fotos com elas, distribuiu autógrafos, conversou com as pessoas da mesa, e isso tudo com uma simpatia e espontaneidade irradiantes.
Madrugada adentro, voltaram para casa, cafezinhos e papos até de manhãzinha, quando alguém da família foi busca-lo. E eu, boba, levantei correndo, me arrumei toda e... qual foi a decepção quando não mais o encontrei. Fiquei triste por não ter me despedido dele, e braba por não poder ter ido ao baile...
Isso tudo para dizer que o Tony Ramos arrasou na novelinha das 6 como “Coronel Boanerges”! Dei muita risada com esse personagem! Novela acabando, vou sentir falta dele... do bonachão Boanerges... do meu amigo Tony... Toninho, para os íntimos... rs
3 comentários:
Ainda ninguém respondeu no post sobre Tony Ramos? Então vai ser eu.
Pra mim, ele é uma descoberta recente. Vi algumas cenas de mulheres apaixonadas.
E só conheço ele melhor da Cabocla. Foi o ator do que mais gostei do elenco. Dramático, engraçado, e muito humano. Como não gostar dessa interpretação?
Ainda ninguém respondeu no post sobre Tony Ramos? Então vai ser eu.
Pra mim, ele é uma descoberta recente. Vi algumas cenas de mulheres apaixonadas.
E só conheço ele melhor da Cabocla. Foi o ator do que mais gostei do elenco. Dramático, engraçado, e muito humano. Como não gostar dessa interpretação?
Stijn
Valeu, Stijn!
Percebi que você via a novela pelo seu post sobre "as éticas" do Tobias! O Tony Ramos é ótimo ator, mas carece de papéis tão bons quanto esse para que possa mostrar todo o seu talento (está se revelando agora na comédia!).
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