24/10/2004

Continuo firme no intento de descobrir o que me levou a expandir meus domínios até este espaço cibernético. Bom, eu nunca entro de cabeça em onda nenhuma (ah, só no mar...), e acabo, muitas vezes pegando o bonde andando. Com a internet foi assim.

Meu primeiro computador foi um 386, que me serviu por um bom tempo, até ir ficando ultrapassado... ultrapassadíssimo... pra lá de ultrapassado até que finalmente foi trocado em 2000, por esse que agora está “começando” a ficar ultrapassado...

Conectei-me à internet nesse mesmo ano, mas nunca me considerei uma internauta, muito menos uma entusiasta dos relacionamentos virtuais. Entrei em chats para conhecer, detestei, esse tipo de comunicação realmente não me atrai (você pensando e escrevendo algo interessante e a outra pessoa falando com 500 ao mesmo tempo, e num linguajar, eu diria, quase chulo: vc ker tc cmgo? Naum? Cara, 100 nossaum!!). Bom, também comecei a achar coisas interessantes na internet. Fora a mão na roda que ela é em termos de pesquisa e comunicação.

Conheci o Banheiro Feminino nem me lembro como, o fato é que adotei-o com um dos meus favoritos pelo humor perspicaz, moderno, e principalmente pelo visual retrô. Comecei a acompanhar o “Diário da Balzaca” (na época nem sabia o que era um blog) e me flagrei como uma espiã da vida alheia! Acompanhei a trajetória da Vivi, uma recifense que foi se aventurar em São Paulo, conheceu o marido, comprou uma gata, teve uma filha e se mudou para Praga, sumindo do mapa. Nunca soube se aquilo tudo era verdade, achava estranhíssimo o fato de alguém expor sua vida daquele jeito, mas confesso que senti falta quando ela parou de escrever.

Pulamos para 2004. Por acaso, lembrei do tal banheiro, fui ver se ainda estava ocupado, e me deparei com o blog da muié do mei do mato. Por acaso, fuçando nos links, conheci o blog do Observador. Um dia, resolvi mandar uma mensagem pra muié (a gente começa a se achar íntimo da pessoa...) e, por acaso, acabei criando este blog.

Mas onde mesmo eu queria chegar? Ah, sim.

Por que resolvi tocar adiante esta empreitada, eu, que resisti até onde pude para não ter nem celular (tamanha a aversão a que invadam minha privacidade), que nunca vi 1 capítulo do Big Brother (aquela jaula de cobaias humanos), que implico com a parede de vidro que colocaram na academia, etc, etc, etc.?

Algumas pistas... seria pelo instinto mezzo voyeur, mezzo exibcionista de todo ser humano? Seria porque sinto uma necessidade de “pegar meu lugar nesse bonde”? Seria por contingência de uma época em que mal conseguimos verbalizar nossos sentimentos/ emoções/ impressões do dia-a-dia, mas o fazemos bem colocando-os no papel, ou mais precisamente, na tela de um computador? Seria por que, ao compartilha-los, buscamos um eco de nossos pensamentos? Bom, paro por aqui, por hoje, que já está começando a dar um nó na minha cabeça...

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